Liga da Justiça


Existem dois filmes da Liga da Justiça. O primeiro é aquele bem recebido pelos fãs, com trailers e cartazes empolgantes e o bem-vindo impulso do sucesso de público e crítica de Mulher-Maravilha. Já o segundo é um pesadelo de relações públicas, com a saída do seu diretor por problemas pessoais (entenda), do seu compositor por divergências criativas (saiba mais) e um protagonista que precisa constantemente fugir dos rumores sobre o seu futuro na franquia (leia mais aqui e aqui).

Para sorte do estúdio, a versão problemática do maior lançamento da DC em 2017 não deve afetar o filme que chegará aos cinemas em novembro. A maior parte do público que fará de Liga da Justiça um certeiro sucesso de bilheteria (a questão é apenas o tamanho desse sucesso) desconhece os problemas que levaram à saída de Zack Snyder e à entrada de Joss Whedon na produção, assim como desconsidera os rumores sobre a possível substituição de Ben Affleck como Batman (leia mais). O que interessa é a inédita reunião dos heróis da DC nos cinemas, com a apresentação de personagens como Aquaman, Flash e Ciborgue e os retornos de Mulher-Maravilha, Superman e Homem-Morcego.

Nos bastidores, porém, essa não deveria ser uma tarefa tão difícil, ainda mais depois das lições aprendidas com Batman Vs Superman e Esquadrão Suicida e a boa recepção de Mulher-Maravilha. O terreno estava preparado para uma produção menos atribulada, sem a necessidade de tantos comunicados oficiais. A saída de Ben Affleck da direção de The Batman (saiba mais) deixou clara a falta de consistência no planejamento desse universo cinematográfico. A entrada de Joss Whedon na etapa final, ainda que completamente justificável, também revelou os problemas da produção (que escolheu como salvador justamente o cineasta que tivera problemas no estúdio concorrente - entenda). Fora do prazo previsto contratualmente para refilmagens, as novas gravações teriam o custo de US$ 25 milhões e precisaram se adaptar à agenda dos seus atores e até contornar o bigode deixado por Henry Cavill para Missão: Impossível (saiba mais). São menos de 4 meses até o lançamento do longa, o que confirma ainda mais a urgência dessas refilmagens.

Durante a sua passagem na San Diego Comic-Con, porém, em nenhum momento a Warner deixou transparecer essas dores de cabeça. Jason Momoa roubou a cena com a sua espontaneidade incontrolável e Affleck acalmou momentaneamente os ânimos logo após a notícia publicada pelo Hollywood Reporter de que a Warner estaria pensando em substituí-lo aos poucos dentro franquia (veja aqui). Com um bom trailer e um belo pôster, o estúdio soube usar a SDCC a seu favor, embora pudesse ter se aproveitado melhor das recentes glórias de Mulher-Maravilha.

Liga da Justiça chega aos cinemas em 16 de novembro carregado de uma expectativa que vai além do desejo dos fãs por um grande evento cinematográfico. Há uma franquia em jogo, uma aposta que precisa fazer jus ao valor de todas as suas propriedades, principalmente a sua trindade de heróis consagrados. Mesmo que o público geral desconheça as dificuldades dos bastidores, é preciso que o produto final transcenda esses aborrecimentos. Porém, se existe um estúdio que sabe lidar com produções problemáticas é a Warner Bros. Mad Max: Estrada da Fúria está aí para contar a história, indo de dor de cabeça (saiba mais) a obra consagrada vencedora de 6 Oscars. É um estúdio que não foge das adversidades, enfrentando-as, o que dá a Liga da Justiça todas as chances para salvar a si mesma, antes de salvar o mundo.


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